Raquel Rocha
Comunicóloga, Psicanalista e Especialista em Saúde Mental
Um minuto com o dedo preso numa porta parece uma
hora. Um minuto segurando na mão de alguém por quem você está apaixonado parece
menos que um segundo. A impressão que eu tive ao terminar de assistir 12 Yers
Slave foi de que ele tinha durado 10 horas. Não por ser um filme ruim, longe
disso. Mas por ser um filme extremamente dolorido.
Imaginem um homem livre, como você e eu. Um homem
com uma profissão (violonista), uma casa, esposa filhos e amigos. Esse homem é Solomon Northup (interpretado por Chiwetel
Ejiofor) um
negro que vive em 1841, nascido livre no
Estado de Nova Iorque e morador da cidade de Saratoga.
Salomon
recebe uma proposta de dois homens para viajar a trabalho a Washington. Uma
noite após comemorar o sucesso da sua apresentação, Solomon é embebedado e na
manhã seguinte acorda acorrentado num lugar desconhecido. Ele tenta explicar
que aquilo é um engano, que ele é um homem livre e cada vez que ele repete a
verdade é espancado. Esse é o primeiro dia, dos doze anos seguintes em que ele
vai viver como escravo.
De Washington ele é vendido para
Louisiana. Mudam seu nome para Platt e ele percebe que dizer quem é,
passa a ser sua condenação à morte, também esconde que sabe ler e escrever e a
única coisa de sua antiga vida que ele ainda faz é tocar violino quando os
brancos ordenam.
São 12 anos de selvageria, agonias e sofrimentos. Ele vai parar na mão
do senhor de escravo Edwin Epps (Michael Fassbender) um homem que sente
prazer em ser cruel com seus escravos, principalmente com Patsey (Lupita
Nyong'o), que é estuprada várias vezes por ele além de ser agredida
pela sua esposa enciumada. Solomon não é um herói, ele não pode ajudar ninguém,
sua força está em sobreviver a tudo aquilo para um dia talvez reencontrar a sua
família.
Algumas
cenas são agonizantes, como a de Solomon com a corda no pescoço para ser
enforcado, tentando se equilibrar com as pontas dos dedos dos pés no chão
enlameado, enquanto aguarda alguém que o tire dali. Também a cena em que ele é
forçado a chicotear a pobre Patsey com um revólver apontado pra ele. São duas
cenas que parecem demorar uma eternidade e faz com que você quase sinta a dor
dos personagens.
As
atuações são brilhantes. Aliás percebi que por melhor que seja a história, se
o personagem não te cativa, tudo soa vazio. Foi o que aconteceu com o Django de
Tarantino, interpretado por Jamie
Foxx, que não nos inspira nada, nem simpatia, nem compaixão.
Mas Chiwetel
Ejiofor faz com que a gente sofra a dor de Solomon Northup, talvez por isso a sensação de que o filme
demorou a passar, porque parecia que ficamos 12 anos escravizados junto com
Solomon. A modificação do personagem ao longo da trama é fascinante, no início,
postura reta, altiva. Aos poucos ele vai se encolhendo, abaixando a cabeça, se
curvando como um escravo.
Belíssimas atuações também de Lupita
Nyong'o, honesta e triste, Brad Pitt com sua curta e heroica
participação e Michael Fassbender como o desumano Edwin Epps
que faz surgir em nós nossos piores sentimentos.
Este
é terceiro longa dirigido por Steve McQueen e o roteiro foi escrito por John Ridley baseado no livro escrito pelo próprio Solomon Northup após ser liberto. Gosto muito dos filmes anteriores
de McQueen: Hunger 2008 e Shame 2011, mas nada comparado à explosão que é 12
Years Slaves. Apesar de ser um filme sofrido é um filme que precisa ser
assistido, para que possamos refletir o quanto é absurdo, incabível, doentio um
ser humano achar que pode ser proprietário de outro. Terminei de ver esse filme
com o mesmo sentimento que tive quando vi “A Vida é Bela”, de que era um
belíssimo filme mas eu não queria ver novamente. No entanto, no caso de 12
Years Slaves tive que assistir e sofrer pela segunda vez, para escrever esse
texto aqui e falar de toda impossibilidade de distanciamento que há nessa
belíssima obra.
"I don't want to survive. I want to live"
Gênero: Drama
Direção: Steve McQueen
Roteiro: John Ridley, Steve McQueen
Elenco: Adepero Oduye, Alfre Woodard, Andre De'Sean Shanks, Andy Dylan, Anwan Glover, Ashley Dyke, Austin Purnell, Benedict Cumberbatch, Bill Camp, Brad Pitt, Bryan Batt, Cameron Zeigler, Chiwetel Ejiofor, Chris Chalk, Christopher Berry, Craig Tate, Deneen Tyler, Devin Maurice Evans, Devyn A. Tyler, Dickie Gravois, Douglas M. Griffin, Dwight Henry, Garret Dillahunt, Gregory Bright, Isaiah Jackson, J.D. Evermore, James C. Victor, Jay Huguley, John McConnell, Kelsey Scott, Kelvin Harrison, Liza J. Bennett, Lupita Nyong'o, Marc Macaulay, Marcus Lyle Brown
Palavras Chaves: Resumo filme Crítica Resenha Comentário Opinião Citações Diálogos Quotes cinema Oscar Psicanálise
Direção: Steve McQueen
Roteiro: John Ridley, Steve McQueen
Elenco: Adepero Oduye, Alfre Woodard, Andre De'Sean Shanks, Andy Dylan, Anwan Glover, Ashley Dyke, Austin Purnell, Benedict Cumberbatch, Bill Camp, Brad Pitt, Bryan Batt, Cameron Zeigler, Chiwetel Ejiofor, Chris Chalk, Christopher Berry, Craig Tate, Deneen Tyler, Devin Maurice Evans, Devyn A. Tyler, Dickie Gravois, Douglas M. Griffin, Dwight Henry, Garret Dillahunt, Gregory Bright, Isaiah Jackson, J.D. Evermore, James C. Victor, Jay Huguley, John McConnell, Kelsey Scott, Kelvin Harrison, Liza J. Bennett, Lupita Nyong'o, Marc Macaulay, Marcus Lyle Brown
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