Raquel Rocha
Economista, Comunicóloga,
Psicanalista e Especialista em Saúde Mental
Membro da Academia de Letras de
Itabuna
![]() |
Foto: Jon Díez Supat |
Devido a todas essas características, os
jovens acabam passando de um estágio de uso a outro de forma muito rápida (do
uso para o abuso), além de fazerem uso de diversas substâncias diferentes,
normalmente da menos para a mais nociva.
Este é um período de desenvolvimento, onde
ocorrem transformações físicas, emocionais, cognitivas e sociais e o uso de
substâncias nessa fase pode comprometer esses processos. Vários estudos indicam
que quanto mais cedo maiores as probabilidades de dependência.
O uso do álcool está entre os problemas
mais graves, Segundo a Organização Mundial de Saúde o álcool é a substância
psicoativa mais consumida por crianças e adolescentes. A média de idade no
Brasil para o primeiro uso de álcool é de apenas 12,5 anos. Muitas vezes
oferecido por amigos mas também oferecido pela própria família.
Pesquisas realizadas com usuários de
álcool, cocaína, maconha, anfetaminas e êxtasy mostram claramente a existência
de uma relação entre o consumo de drogas e as práticas sexuais de risco bem
como a infecção pelo vírus HIV. Elas indicam ainda que adolescente que iniciam
o uso de drogas em fases mais precoces se mostram mais propensos às relações
sexuais de risco.
Fatores de Risco
Conhecer os fatores de risco, ou seja,
fatores que podem levar o adolescente a procurar às drogas é uma possibilidade
de prevenção da experimentação, bem como interromper o uso que já é frequente.
Os fatores são Ambientais, Familiares e Individuais.
Os Fatores Ambientais são aqueles que
oportunizam o uso das drogas: facilidade no acesso. A lógica é simples: se o
jovem não tiver acesso, ele não usará.
Igualmente importantes são os Fatores
Familiares: uso de drogas pelos pais, estrutura familiar precária, pouca
supervisão dos pais, pais que não conseguem impor limites aos filhos, além de
situações estressantes (mudança de cidade, de escola, perda de um ente
querido.)
“Estudos mostram que os adolescentes cujos
pais têm como costume procurar localizar seus filhos, saber quem são seus
amigos, o que eles fazem no tempo livre e como eles gastam seu dinheiro são os
que apresentam menores taxas de envolvimento com drogas.” (Supera SENAD, Mod
01, pág 70)
-Filosofia de Vida do jovem que, por
exemplo, vê a droga como algo normal.
-Características de Personalidade:
autoestima baixa, insegurança, agressividade, impulsividade.
-Problemas Psiquiátricos: Transtorno de
conduta (jovens que apresentam comportamentos anti-social que perturbam e
incomodam, violando os direitos individuais das outras pessoas, como
intimidações, agressões físicas, práticas cruéis, roubos, etc). Transtorno de
Hiperatividade e Déficit de Atenção, Depressão, Ansiedade, bem como outros
transtornos.
-Características Genéticas e Familiares- o
histórico familiar do jovem se apresenta como um fator de risco para
dependência de substâncias psicoativas.
Outros fatores também influenciam: cultura
do uso, pertencer a grupos que usam a substância e consequentemente a
necessidade de aceitação nesse grupo, sexualidade precoce, baixo desempenho
escolar, sentimento de rejeição, ter sofrido abuso físico e mental.
As consequências do uso de substâncias
psicoativas na adolescência podem resultar em prejuízos para o jovem,
emocional, psíquico e físico. Alguns perdurando para toda vida.
O álcool, por exemplo, diminui a atenção, a
concentração e a memória numa época em que o desenvolvimento cognitivo é de
extrema importância. O adolescente perde o interesse pela escola justamente
nessa fase da vida em que o que ele aprende é crucial para o ingresso na
carreira dos seus sonhos. O álcool também é um desinibidor, podendo despertar agressividade
e comportamentos autodestrutivos. A maior causa de morte de jovens no Brasil é
acidente no trânsito e o álcool é responsável por grande parte desses
acidentes.
O uso frequente da maconha leva a uma perda
da motivação e interesse não só na escola mas em diversas atividades que o
jovem gostava antes. Essa perda de interesse vem acompanhada de irritabilidade,
distração, problemas de concentração.
No caso dos meninos foi identificado a
diminuição na produção de espermatozoide. “Maconha altera a motilidade dos
espermatozoides e a cocaína, mesmo nos usuários sociais, pode provocar um
comprometimento irreversível no túbulo seminífero, região do testículo onde são
produzidos os espermatozoides. Vários trabalhos mostram esse efeito em animais
induzidos a usar cocaína nos finais de semana.” (Dr. Sidney Glina é médico
urologista, chefe do Departamento de Urologia do Hospital do Ipiranga (São
Paulo/SP), diretor do Instituto H-Ellis e coordenador da Unidade de Reprodução
Humana do Hospital Israelita Albert Einstein (SP). Ler mais aqui:
http://drauziovarella.com.br/sexualidade/infertilidade-masculina/ )
Fatores de Proteção:
- Ambiente familiar propício ao diálogo aberto
- Supervisão e Monitoramento dos pais,
- Pais que conhecem os amigos do jovem.
- Noções claras de limites
- Valores familiares como religiosidade e espiritualidade
- Prática de atividades esportivas
- Envolvimento e bom desempenho na escola
- Estabelecimento de objetivos
- Reconhecimento das qualidades dos adolescentes