sábado, 25 de fevereiro de 2012

Filme O ARTISTA




Um filme mudo e em preto e branco em tempos de cinema 3D. Uma fórmula que caiu em desuso há mais de 80 anos se mostrou ainda capaz de fascinar o mundo. O Artista é simples, poético, inocente, cativante do inicio ao fim. É um daqueles filmes que quando chega ao final dá vontade de assistir de novo.

O filme conta a história de um famoso ator do cinema mudo George Valentin (Jean Dujardin) que vê sua carreira entrar em decadência com o surgimento do cinema falado. Ele é um artista de sorrisos, caretas e trejeitos, um artista da linguagem corporal, não da fala. Ao mesmo tempo em que sua carreira declina ele vê a ascensão da jovem dançaria Peppy Miller (Bérénice Bejo) que era apenas uma fã e figurante em seus filmes.

O tema não é novo. Cantando na Chuva já tinha mostrado o dilema dos astros do cinema mudo tentando adaptar-se a nova realidade. Mas O Artista consegue encantar pela profundidade com que aborda a angústia do seu personagem central, que vê tudo ao seu redor começar a produzir sons enquanto ele não consegue falar. A cena em que ele se assusta com o barulho dos objetos que ele coloca sobre a mesa é uma daquelas que se eternizam.

A paixão entre George Valentin e Peppy Miller prevalece o filme inteiro, mas de forma doce, nunca roubando a atenção do dilema central do personagem. A cena inicial em que George erra a interpretação várias vezes só pra dançar mais tempo com ela é de uma sutileza e de uma graça incrível. O cão Uggie, ao lado de Valentin todo o tempo é apaixonante e corrobora com a mensagem do filme. Em um das cenas uma senhora se encanta com o cão e tece mil elogios, ao que Valentin responde “mas ele não fala”. Acho que esse é o ponto forte do filme, tudo se encaixa perfeitamente. Nada sobra, nada falta.

Dirigido brilhantemente pelo desconhecido Michel Hazanaviciu o filme tem outros atributos, os figurinos bem escolhidos, uma fotografia cheia de contrastes e a trilha sonora que dispensa, literalmente, palavras. Não estou bem certa de que quem nunca assistiu ao cinema mudo, viverá com O Artista essa experiência de encantamento, mas pra mim que assistia Chaplin aos 10 anos, de madrugada com a tv no mudo para não ser flagrada, assistir O Artista foi como reencontrar um velho amigo que julgava morto e perceber que ele continua tão fascinante quanto antes.

Assim como Hugo Cabret essa é outra obra metalinguística e, do mesmo modo, uma homenagem aos primórdios do cinema. Enquanto o norte-americano Scorsese homenageia o cinema francês o cineasta francês homenageia Hollywood. The Artist é filme é encantador, charmoso, puro, bonito, mas acima de tudo é um filme corajoso. O cinema nunca foi tão celebrado como agora.



Direção: Michel Hazanavicius. Elenco: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, Penelope Ann Miller


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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Filme A invenção de Hugo Cabret



Hugo Cabret se passa em Paris dos anos 30 (Paris de novo!!), a primeira cena é um plano-sequência lindo sobre Paris que termina nos olhos do pequeno Hugo Cabret, o menino que observa a cidade atrás de um relógio na estação de trem Paris Nord como quem assiste a um filme.

A história tem todos os elementos pra ser uma obra prima, é baseado num best-seller com elementos reais, é metalinguistico (todo cinéfilo adora ver cinema falando sobre cinema) faz uma homenagem a um dos grandes pioneiros do cinema e tem a direção genial de Scorsese. Apesar de tantas conspirações a sensação é de que falta algo no filme, falta mais sentido, falta mais sintonia entre todos os elementos brilhantes incutidos.

A obra conta a história do filho de um relojoeiro (Jude Law) que morreu num incêndio, Hugo Cabret (Asa Butterfield) precisou morar com um tio alcolatra nos bastidores da Gare du Nord. Logo o tio desaparece mas Hugo continua a fazer o trabalho do tio pra evitar ir pra um orfanato. Torna-se um menino triste e solitário com um único desejo: fazer funcionar um robô que seu pai encontrou no lixo de um museu, se agarrando a esse que é o único elemento que o liga a pessoa mais importante de sua vida. Hugo busca no robô não só uma mensagem do seu pai mas um significado pra sua vida: “Se o mundo é como uma grande máquina, então eu não poderia ser uma peça extra. Eu tinha que estar aqui por um motivo.” Para sobreviver e terminar o concerto do robô ele comete pequenos furtos até que é pego pelo dono de uma loja de brinquedos, Papa Georges (Ben Kingsley). De imediato o expectador percebe que existe uma ligação entre o dono da loja e o robô quebrado.

Em A invenção de Hugo Cabret, o jovem Hugo acaba de tonando apenas um par de olhos azuis bonitos porque todo o foco do filme está em torno do mau humorado dono da loja que é na verdade o grande cineastra Georges Méliès, um dos pioneiros do cinema que, desiludido, se faz passar por morto e abre uma loja de brinquedos.

O filme traz alguns eventos verdadeiross, Méliès realmente trabalhava como um ilusionista e estava na plateia para a qual foram projetadas as primeiras imagens dos irmãos Lumiere. Ele se apaixonou pelo cinema e vendeu tudo o que tinha pra montar um estúdio de cinema, produzindo mais de 500 filmes em sua carreira. Viagem a Lua (Le voyage dans la Lune 1902) foi sua mais importante obra. Depois da guerra ele acabou falido (há discordância sobre os motivos) e indo trabalhar numa loja de brinquedos. Foi descoberto por jornalistas, recebeu algumas homenagens mas morreu pobre e sem o reconhecimento merecido.

Algumas narrativas se desenvolvem paralelamente a relação de Hugo com o velho dono da loja. O inspetor da estação de trem obcecado por encaminhar toda criança que ele encontra sozinha para o orfanato é interpretado por Sacha Baron Cohen. Ele se parece muito com um soldadinho de chumbo, tem uma perna deficiente e sua obsessão se justifica por ter, ele próprio, ter crescido em um orfanato. Esse poderia ser um aspecto interessante mas a ênfase em sua obsessão e as perseguições acabam ficando cansativas. A amizade entre Hugo e Isabelle (interpretada divinamente por Chloe Moretz) carece de um motivo start. Também não convence o motivo de tamanho desencanto do velho cineasta com sua arte. O robô, figura fascinante que tanto chama atenção no inicio do filme acaba se tornando semi-inútil no desenrolar da trama.

As interpretações são primorosas. Destaque pra rápida mas sensível atuação de Jude Law no papel do pai de Hugo, para a vara que Sacha Baron Cohen engoliu pra se manter tão ereto e, sobretudo  destaque para a grandiosa e marcante atuação de Ben Kingsley.

O filme tem um visual incrível. Segundo James Cameron, foi o melhor uso feito até então da tecnologia 3D. Independente de tecnologia a fotografia do filme é deslumbrante, a cidade de Paris escura como o coração dos personagens centrais, as cores que pulsam querendo saltar do cenário escuro, a luz quase mágica e o azul dos olhos do menino que Scorsese é mestre em retratar (lembra as cenas com ênfase aos olhos de Leonardo DiCaprio em O Aviador).

Além da fotografia o filme da uma aula de cinema homenageando o grande cineasta que mudou a história inserindo e seus filmes um elemento que está presente até hoje, a magia. A invenção de Hugo Cabret resgata cenas valiosas da obra de Méliès e é repleto de referências como o robô do Museu d´Art et D´Histoire na Suiça bem o epsódio do acidente ferroviário na estação de Montparnasse em 1895.

Os méritos do filme são tantos e tamanhos que superam suas pequenas carências, é um daqueles que não da pra não assistir. Scorsese retrata deslumbrantemente os primórdios do cinema francês, eterniza imagens preciosas e conta pro mundo porque o cinema é conhecido como fábrica de sonhos.



The Invention of Hugo Cabret. Direção: Martin Scorsese. Elenco: Asa Butterfield, Chloe Moretz, Jude Law, Helen McCrory, Ben Kingsley, Emily Mortimer, Christopher Lee, Sacha Baron Cohen, Ray Winstone.
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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Filme MEIA NOITE EM PARIS




Um dos melhores filmes de Woody Allen, Midnight in Paris é encantador, nostálgico, culto, irretocável. Um filme que fala diretamente a alma humana, afinal quem nunca sentiu a estranha sensação de não pertencimento ao seu tempo e espaço? Quem nunca assistiu a um filme ou leu um livro antigo e não desejou ter vivido naquela época? Nesse filme Allen, um dos diretores mais psicanalíticos de todos os tempos, consegue mexer com o inconsciente, suas inquietações e vontades de forma absurdamente poética. 

Gil Pender é um roteirista hollywoodiano frustrado que anseia por mergulhar fundo na literatura. Ele viaja a Paris com sua noiva e a família dela mas aos poucos ele vai se distanciando deles e se aproximando cada vez mais da Paris dos seus sonhos e encontrando assim a oportunidade de entrega total a grande arte. No filme Wood Allen magicamente conduz seu personagem a Paris do passado e seu impossível encontro com Pablo Picasso, Salvador Dali, com os escritores Ernest Hemingway (Por Quem os Sinos Dobram), Scott Fitzgerald, Gertrud Stein, o músico Cole Porter, o cineasta Luis Buñuel e com sutis detalhes da arte de cada um.

Um mergulho na história que só seria possível numa cidade como Paris que preserva seu passado em cada rua, cada esquina, cada tijolo, cada cheiro No retrocesso tudo muda: os carros, os figurinos, a música. Somente Paris continua a mesma. Allen consegue transportar o personagem no tempo com uma sutileza incomum de forma que não causa nenhuma estranheza o personagem entrar num carro, voltar quase um século atrás e parecer que não tinha como ser diferente.

Allen e Paris combinam divinamente, em Meia Noite em Paris Allen conseguiu fazer um recorte estético da cidade luz ainda mais incrível que em Todos Dizem Eu Te Amo. As primeiras cenas do filme constroem um cartão postal dos lugares mais lindos da capital francesa. Em uma das cenas o personagem lê num livro “Que Paris exista e que alguém possa escolher viver em qualquer outra parte do mundo será sempre um mistério para mim.”

A trilha sonora é perfeita, a atuação de Marion Cotillard é encantadora, aliais tudo no filme se encaixa lindamente.  Midnight in Paris é uma celebração à beleza, à literatura e, sobretudo, à arte de fazer cinema.

P.S- Caso não seja familiarizado com a obra de Allen sugiro consultar outras fontes antes de assistir o filme. Esse texto é fruto de uma opinião altamente parcial, escrito por alguém em estado de graça com total identificação com história, por já ter se sentido deslocada no tempo e no lugar onde vive, alguém que ama o cinema, ama Paris e, assim como o personagem do filme, ama a chuva.



Diretor: Woody Allen Elenco:Kurt Fuller, Owen Wilson, Marion Cotillard, Michael Sheen, Tom Hiddleston, Kathy Bates, Rachel McAdams, Gad Elmaleh, Carla Bruni, Nina Arianda, Mimi Kennedy, Corey Stoll, Manu Payet Produção: Letty Aronson, Jaume Roures, Stephen Tenenbaum Roteiro: Woody Allen Fotografia: Darius Khondji Trilha Sonora: Stephane Wrembel


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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Fellini, 8 1/2


"Será que há algo tão claro e justo no mundo que mereça viver? Estamos sufocados por palavras, por imagens e por sons que não tem nenhuma razão de ser, que saem do nada e se dirigem para o nada. Que monstruosa presunção achar que seria útil para alguém o esquálido catálogo dos seus erros... E de que lhe adiantaria unir os farrapos de sua vida, suas vagas lembranças e os rostos daqueles que nunca soube amar?"

Do filme 8 1/2 do cineasta italiano Frederico Fellini. O filme é de 1963 mas as palavras nunca foram tão atuais.

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sábado, 28 de janeiro de 2012

A vida pede livro- Pollyanna



Recentemente estava comprando livros e me deparei com um que marcou minha vida, Pollyanna de Eleanor H. Porter que conta a história da menina órfã que vê o lado bom de todas as coisas que acontecem, por piores que sejam.  Pollyanna  aprendeu o jogo do contente com seu pai, quando, num natal, ela pediu uma boneca e recebeu um par de muletas de doação.  Neste dia seu pai lhe ensinou que ela deveria ficar feliz justamente por não precisar delas.

A técnica é clichê e já vimos seu segredo em mil e um livros, mas nunca contada com tanta delicadeza quanto em Pollyanna. É um livro que vale a pena ser lido em todas as idades.

O livro custa apenas 14,90 em livrarias como saraiva e submarino. É possível encontra-lo até por 12,90 (lembrando que se você se empolgar e comprar mais alguns livros o frete sai gratis).  Se não quiser comprar não precisa, porque essa obra, publicada originalmente em 1912, já é de domínio público e é possível baixa-la em qualquer site apenas digitando Pollyanna no google. Vou deixar um link aqui pra acessa-la direto em PDF, porque em alguns links de download a tradução tá meio tosca.


(A imagem acima é do filme homônimo, rodado em 1960 e dirigido por David Swift, estrelado pela pequena Hayley Mills.)


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

QUAL SUA SÉRIE FAVORITA?






 

Depois dos comentários sobre minha lista de seriados preferidos postada como Gadget resolvi descobrir mais viciados em seriados!

Segue minha:

LISTA DE SÉRIES PREFERIDAS
  1. The Big Bang Theory
  2. Dexter
  3. Dr. House
  4. Monk
  5. In Treatment- Em Terapia
  6. Adorável Psicose
  7. Two and a half man
  8. The new adventure of old Christine
  9. Accoding to Jim
  10. Cold Case
  11. Modern Familly
  12. Supernatural
  13. 2 Broke Girls
  14. White Collar
  15. Better with you
  16. Criminal Minds

 
E você? gosta de séries? Quais suas preferidas?

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Livro: As 100 melhores histórias da mitologia




Estou lendo e adorando "As 100 melhores histórias da mitologia" de S. Franchini & Carmen Seganfredo. O livro conta histórias como: O Nascimento de Minerva Os doze trabalhos de Hércules, A guerra de Tróia,  Aquiles, Heitor e O mito de Sísifo, O suplício de Tântalo, Édipo e a Esfinge, Orfeu e Eurídice, A caixa de Pandora, Perseu e a Cabeça de Medusa, Cupido e Psique e O assassinato de Agamenon.

Através dessas histórias mágicas a humanidade tentou explicar o surgimento do universo, dos homens, do animais, das forças da natureza e do amor. Tudo nele se encaixa perfeitamente, a linguagem leve, a narrativa clara e as questões profundas. É um livro pra quem já adora mitologia e também para aqueles que querem conhecer. Recomendo!

Quem quiser baixar, segue o link do 4shared:
http://www.4shared.com/office/edrSBG2d/As_100_melhores_Histrias_da_Mi.htm

Palavras chaves: livro mitologia dica de leitura download

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Baixar Livros

ATENÇÃO
Caros, esse post foi escrito em 2011 na época do meu TCC de Psicanálise. Atualmente esses links não estão mais funcionando. Não possuo todos esses livros, infelizmente não baixei na época pq não ia utilizar no trabalho, mas tenho outros materiais comigo e posso mandar. caso alguém queira. Só deixar o e-mail nos comentários.

Abraços




Decidi fazer minha monografia consultando somentes as obras originais dos autores. Nada de alguém disse, que alguém disse, que alguém disse. Comecei com Freud (alguém surpreso?) Baixei a obra completa dele, fui no ctrl + F, achei o que eu queria, imprimi, li, marquei, risquei, anotei, devorei. Depois fui ao “livro de papel” conferi tudo, anotei as páginas e estava finalizada a parte freudiana do meu trabalho.

Foi aí começaram os aborrecimentos,  não encontro obras de Lacan, Melanie Klein e Winnicott em português. Até consigo ler em espanhol mas devido a quantidade de termos específicos acabo demorando o triplo do tempo. E tempo é algo que definitivamente não estou tendo.

Não acho os livros digitais substituem os livros de papel, mas na hora de procurar alguma coisa ter os livros em PDF facilita muito. Então é melhor ter os dois.

No momento atual tenho folheado livros e livros, página por página, sentindo falta desesperadamente do Ctrl +F. Mandei email pra centenas de amigos pedindo mais livros. Tô arriscando ler Lacan em francês, contudo mais empolgada com a língua francesa do que em entender Lacan.  A busca virtual continua e acabei até encontrando algumas coisinhas.


Dentre minhas descobertas vim compartilhar com vocês o link do 4shared pra baixar este livro de Donald Woods Winnicott , O brincar e a realidade em pdf. Está em Português, português do Brasil, puro português lindo e maravilhoso. 

Já testei o link, baixem sem medo. 






Link para A FAMÍLIA E O DESENVOLVIMENTO INDIVIDUAL de Winnicott
http://www.4shared.com/get/kkpKaTvo/Winnicott-Familia_e_desenvolvi.html
Também em Português.








Link para O EU E O INCONSCIENTE DE Carl Gustav Jung -Obras completas

http://search.4shared.com/postDownload/n0Fjnz7h/07-2-CW-_VolVII-2__-__O_Eu_e_o.html










As Cinco Pessoas que Você Encontra no Céu



















  1. A arte cavalheiresca do arqueiro Zen
    Livro por Eugen Herrigel














A Metamorfose (Die Verwandlung em alemão)
Franz Kafka, 



















Um psicanalista no divã 
 J.-D. Nasio

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

UESC - Cursos de extensão sobre Drogas





Encontram-se no site da UESC (http://www.uesc.br/), em NOTÍCIAS EM DESTAQUE, informações para inscrição nos Cursos de extensão e aperfeiçoamento para enfrentamento ao Crack, Álcool e Outras Drogas, promovido pelo CRR UESC, em parceria com a SENAD.

O público alvo para os cursos envolvem enfermeiros, médicos, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, agentes comunitários de saúde,  agentes sociais, pessoas que trabalham com moradores de rua, e demais profissionais atuantes das redes de atenção integral à saúde e assistência social.

Dentre os cursos, chamo atenção para um curso voltado apenas para médicos, e outro envolvendo profissionais trabalhadores do hospital geral, especialmente, da emergência.

As incrisções terão início na próxima segunda-feira, dia 21/11, através de e-mail, conforme orientação do site.



(Por  Rozemere Souza, Coordenadora CRR-UESC)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

IPA



A IPA (International Psychoanalytical Association) foi criada em 1910 por Sigmund Freud, após o II Congresso Internacional de Psicanálise de Nuremberg. O objetivo era reunir as sociedades psicanalistas existentes, normatizando a formação do psicanalista através de princípios éticos e rigor científico e estabelecer uma prática psicanalítica de elevados padrões.

Freud nomeou seu amigo e discípulo Carl Gutav Jung como primeiro presidente da IPA. Para Jung a função da IPA era "promover e apoiar a ciência da psicanálise fundada por Freud, tanto como psicologia pura como em sua aplicação à medicina e às ciências mentais e cultivar o apoio mútuo entre os seus membros para que fossem desenvolvidos todos os esforços no sentido da aquisição e difusão dos conhecimentos psicanalíticos".

Após 100 anos de fundação a Associação Internacional de Psicanálise é hoje uma das instituições científica mais antigas e de maior relevância internacional. Em 1997 foi criado o comitê da IPA para as Nações Unidas e no ano seguinte ela tornou-se consultora junto ao conselho. A IPA está sediada em Londres, tem mais de 12 mil membros associados e serve de referência para as sociedades psicanalíticas do mundo inteiro.


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A vida pede filme


ENSINA-ME A VIVER
(Harold and Maude)

Garoto milionário tem obsessão pela morte. Sua diversão favorita é simular suicídios e ir a enterros. É num cemitério que ele conhece Maude, uma senhora de 79 anos cheia de vida e de amor.
Maude é falante, Harold é reservado, Maude rouba carros para passear, Harold ganha carros de sua mãe, Maude faz todos os segundos de sua vida valerem a pena enquanto Harold não sente vontade de viver. Desse estranho encontro nasce o improvável: um belíssimo romance.

O filme é uma sequência de cenas incríveis, como o plano geral de ambos no cemitério de mortos da guerra, as cenas nos jardins floridos e também as meticulosas simulações de suicídio de Harold.

Do diretor Hal Ashby, o filme é um clássico da década de 70. Não obteve sucesso comercial quando do seu lançamento, talvez até por chocar a sociedade com o inusitado romance. Felizmente conquistou espaço entre críticos e sobreviveu ao longo de todos esses anos pra continuar encantando corações.

A trilha sonora de Cat Stevens é simplesmente sensacional, uma das melhores trilhas de filme que eu ouvi.


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Retalhos de Psicanálise


Um leigo pergunta: "O que faz efetivamente o analista ao tratar um caso de psiconeurose?" Freud (1926) responde: "Nada acontece entre eles, salvo que conversam entre si. O analista não faz uso de qualquer instrumento — nem mesmo para examinar o paciente — nem receita quaisquer remédios." (FREUD, 1926a, p. 83)
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Na atualidade a psicanálise tem sido influenciada pelas recentes pesquisas na área de neurobiologia. “O conhecimento rapidamente acumulado sobre o funcionamento cerebral, sonho, memória e consciência parece corroborar muitos dos princípios centrais da psicanálise sob uma perspectiva neuropsicológica. (...) Esses dados até então inacessíveis colocaram a psicanálise no limiar de uma nova era de desenvolvimento” (Paul Willlians-O que é a Psicanálise pág 206)
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"Existe uma história que brinca: 'Se no fundo da alma a tiver vocação para ser ladrão, a função do psicanalista é transformá-lo em um grande ladrão' É uma brincadeira que ressalta a liberdade do indivíduo de ser ele mesmo, que é o que tanto busca a psicanálise"
(Plínio Montagna- Psiquiatra e Psicanalista- Presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise)

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“Vivemos continuamente na dimensão do projeto, correndo atrás de objetos colocados num futuro mais ou menos distante, e pensamos, ilusão suprema, que nossa felicidade depende da realização concreta de fins medíocres, ou grandiosos, pouco importa, que estabelecemos para nós mesmos",

do pensador francês Luc Ferry no livro Aprendendo a Viver (Editora Objetiva). Citado por Liane Alves no Blog Amigos do Freud

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Resiliência

Passei o último final de semana pensando neste filme. Foi um final de semana conturbado, uma mistura de estreia de filme com aula intensiva de psicanálise. Em todas as pausas, lá me vinha este filme a cabeça.

É um filme simples, sem recursos, sem cortes, apenas um cinegrafista bom pra caramba, uma diretora atrás do cinegrafista tentando ser uma formiguinha, um produtor que viu um filme onde outras pessoas teriam visto apenas um making of.

Este filme mostra um pouco sobre o professor Antonio Lucio, apelidado carinhosamente de professor Tote. Mostra-o e a sua vida. Uma vida que ele reconstruiu em um pequeno apartamento ao ser expulso da fazenda onde morava após quatro assaltos. Mostra também seu amor pela família, pelos livros, pela natureza, pela música, pelos licores e pelo santo de sua devoção, Santo Antônio.

Professor Tote fala sobre a capela que ele cuidava com tanto amor: “A capela que minha mãe construiu na fazenda, houve doze arrombamentos, até o sagrado levaram. Mas a cada vez que eles agridem e vão de encontro a essa devoção nós recompomos, na certeza de que estamos fazendo o certo homenageando ao Cristo”

Um homem sábio com um estilo de vida próprio. Em cada frase uma lição de vida dita com uma humildade singular. Sobre este filme ele disse: “Tenho certeza de que vou gostar”. Infelizmente não houve tempo para ele assistir. No dia que eu coloquei o DVD na bolsa pra entregar a ele soube que ele havia partido para um outro plano.

Tenho um carinho todo especial por este filme, ele me fez descobrir porque eu gosto tanto de fazer documentário, pra registrar momentos como esse, de um homem sábio e simples. Um homem que se foi mas sua lição de vida fica.

Com este filme também vi a concretude dessa palavra tão bonita, Resiliência que eu já tinha estudado tanto na teoria, nas aulas da pós e da psicanálise.

O filme foi gravado há cerca de um ano e meio, editado há uns 3 meses. Eu ia entregar a ele no dia de Santo Antonio, quando soube de seu falecimento. Por um tempo me puni por não ter sido mais rápida, por não ter mostrado o filme a ele antes, agora não mas. Hoje sei que as coisas são como são. Como ele mesmo disse Resiliência: “é você não se ligar ao passado, não ficar entristecido olhando com saudades e com lamúrias para aquilo que você foi privado.”

Relembro as palavras dele “Tenho certeza de que vou gostar” e acrescento com uma agradável intuição “Tenho certeza de que ele gostou”.



Meus agradecimentos eternos ao cinegrafista João Neto e ao produtor Carlos Shintomi

sábado, 10 de setembro de 2011

UESC- Seminário





SEMINÁRIO REGIONAL SOBRE CRACK, ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS
No dia 19 de outubro de 2011 as 13:00 a Universidade Estadual de Santa Cruz, através do Núcleo de Saúde Coletiva, promoverá o I Seminário Regional sobre Crack, Álcool e Outras Drogas, a ser realizado no Auditório do Centro de Cultura Governador Paulo Souto.

O seminário tem o objetivo de sensibilizar gestores e comunidade em geral para desenvolvimento de uma política de enfrentamento ao crack, álcool e outras drogas. O evento marcará a abertura oficial do Centro Regional de Referencia (CRR) para formação permanente de profissionais das redes de atenção integral à saúde e de Assistência Social para o enfrentamento do Crack, Álcool e Outras Drogas na região.  

A coordenadora do CRR UESC, Profa. Dra. Rozemere Cardoso de Souza explica a importância do tema: “É necessário refletir sobre os aspectos relacionados ao uso de drogas e sobre a necessidade de intervir com ações de prevenção, de promoção da saúde e de reinserção social para os usuários de drogas e seus familiares”

Estão convidados a participar do evento todos interessados no tema: profissionais, estudantes, líderes comunitários, educadores, políticos, gestores, representantes e usuários de entidades governamentais e não-governamentais, especialmente, aquelas que trabalham com o tema drogas, e líderes religiosos, dentre outros atores sociais.

A inscrição é gratuita.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

"... Assim tudo acaba em silêncio e poesia."


"Passo agora a responder à sua pergunta sobre a gênese dos meus heterônimos. Vou ver se consigo responder-lhe completamente. Começo pela parte psiquiátrica. A origem dos meus heterônimos é o fundo traço de histeria que existe em mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histero-neurastênico. Tendo para esta segunda hipótese, porque há em mim fenômenos da abulia que a histeria, propriamente dita, não enquadra no registro de seus sintomas. Seja como for, a origem mental dos meus heterônimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação. Estes fenômenos- felizmente para mim e para os outros- mentalizaram-se em mim; quero dizer, não se manifestam na minha vida prática, exterior e de contato com os outros; fazem explosão para dentro e vivo-os eu a sós comigo. Se eu fosse mulher- na mulher os fenômenos histéricos rompem em ataques e coisas parecidas- cada poema de Álvaro de Campos( o mais histericamente histérico de mim ) seria um alarme para a vizinhança. Mas sou homem- e nos homens a histeria assume principalmente aspectos mentais; assim tudo acaba em silêncio e poesia..."

(Fernando Pessoa)

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O Solista- Filme



“O Solista” (2009) conta a história de Nathaniel Ayers, um esquizofrênico que mora nas ruas de Los Angeles e toca um violino de duas cordas aos pés de uma estátua de Ludwig Van Beethoven. O jornalista Steve Lopez, atraído pelo som do violino se aproxima. Entre diálogos e delírios Nathaniel conta que estudou na conceituada escola de arte, Julliard. O jornalista imediatamente se interessa e começa a pesquisar sua história.

Steve Lopez descobre que Nathaniel era um aluno genial, dedicando-se música em tempo integral. Quando jovem chegou a fazer parte de uma grande orquestra. No entanto, é justamente neste época de sua vida que ele começa a ter alucinações. Essas alucinações se caracterizam como vozes que lhe atormentam todo o tempo, sobretudo quando o músico está ensaiando, ao ponto de ele largar tudo e ir morar nas ruas.

O jornalista publica a história de Nathaniel, em sua coluna sobre o cotidiano e os personagens da cidade de Los Angeles, e uma leitora comovida acaba enviando um violoncelo pro jornal para ser entregue ao incrível músico morador de rua. A entrega do instrumento a Nathaniel constitui uma das cenas da cenas mais bonitas do filme. Num túnel escuro e barulhento, o músico de rua toca Beethoven com delicadeza e entrega total enquanto o jornalista Lopez assiste agachado ao chão. O movimento de câmera lindíssimo, a câmera sai da cena subindo, saindo do túnel para mostrar o caos dos viadutos emaranhados e finalizar num vôo panorâmico de pombos que parecem aplaudir o concerto.

Do diretor inglês Joe Wright (Orgulho e Preconceito, Desejo e Reparação) o filme é baseado em uma história real. Como psicanalista gosto do filme por causa da aula sobre a esquizofrenia em todos os seus aspectos. Como comunicóloga, gosto das reflexões éticas a respeito de um jornalismo que deixa de existir. Como expectadora, penso que os personagens poderiam ser mais explorados em toda a sua profundidade, principalmente pelos atores que os interpretam: Robert Downey Jr. e Jamie Foxx. No fim das contas é um filme que vale a pena assistir, por todos os motivos citados, pela fotografia belíssima e claro, pela trilha sonora.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Dr. House



Há anos venho alardeando aos quatro cantos o quanto gosto da série Dr. House. As vezes com uma ressalva: gosto da série e não de House. Esse é um daqueles personagens densos demais pra gente saber se ama ou odeia, ele é arrogante, sarcástico, imprevisível, infantil mas sempre brilhante.
No episódio 22 da sexta temporada descobriu-se um House extremamente humano. O melhor episódio de todos os tempos, com ele quebrando pia, arracando espelhos e dividido entre a hidrocodona e Cuddy. Esperei ansiosa pela sétima temporada, imaginando uma temporada romântica, House e Cuddy em cenas calientes, brigando e se amando nos quartos vazios do hospital (quase um Grey's Anatomy)
Achei que ele fosse mudar, mas House não tem jeito. Ele até que tentou, mas as vezes tentar não é suficiente.
No episódio 15 da sétima temporada eu finalmente descobri o porque gosto tanto de House mesmo odiando ele. As razões são puramente pessoais, inexplicáveis e complexas, mas segue aqui uma transcrição deste episódio, um dos mais profundos e incríveis que já assisti.
Cuddy descobre um tumor, durante o período em que ela faz uma série de exames House some até que finalmente aparece pra ficar ao lado dela durante a cirurgia. Quando recuperada Cuddy descobre que House precisou tomar hidrocodona pra ficar com ela.
House tenta explicar, disse que tomou porque sentiu medo de perdê-la e é nesse momento que Cuddy consegue dar a melhor explicação sobre House de toda a série.
“Você toma pra não sentir dor. Tudo o que faz é pra não sentir dor. As drogas, o sarcasmo, manter distância para que ninguém o magoe” Ela finaliza: “Quem ama sente dor.”
House tenta argumentar, pede para ela não deixá-lo.
Ela diz: “Você não estava comigo pra valer.”
Ele: “Eu queria estar.”
Ela: “Isso não basta.”

domingo, 7 de agosto de 2011

SPARTACUS


Todo mundo já ouviu falar de Spartacus, o escravo que se tornou gladiador e liderou uma grande revolução da Roma Antiga, tornando-se uma lenda.

Depois do clássico Spartacus de Stanley Kubrick (1960) e diversos outros filmes inspirados na mesma história, surge a série Spartacus dos produtores Sam Raimi e Joshua Donen. A série é simplesmente incrível! Muitas cenas de batalhas, de sexo numa extravagância de ação, erotismo e sangue jorrando em câmera lenta no mais puro vermelho que já se viu.

A fotografia do filme é impecável, em estilo HQ. As perspectivas também surpreendem como nas cenas em que a câmera está dentro dos helmos dos gladiadores mostrando como eles veem seus oponentes. Os personagens são profundos, humanos e imprevisíveis.

A série mostra alguns personagens diferentes de como os costumamos ver nas adaptações, o que não chega a ser um incômodo, afinal poucos registros existem sobre a verdadeira história de Spartacus. Enquanto os personagens ganham vida própria, a série não hesita em mostrar a sociedade daquela época com todos os seus traços de luxúria, fetiches, orgias e tudo mais.

Em Spartacus você encontra paixão, ódio, vingança, coragem, sensualidade, tudo isso com uma estética lindíssima.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Raiva e Ódio

Sentir raiva as vezes é normal e você pode extravasar esta emoção praticando esportes, desabafando com um amigo, xingando o travesseiro ou na pior dar hipóteses dando um bufete na pessoa que te causou a raiva. Já o ódio é veneno e como todo veneno pode matar.

Diferença de Raiva e Ódio

A raiva é uma emoção. O processo de geração da raiva ocorre quando os neurônios libera uma descarga de adrenalina no sangue, que leva a um aumento da frequência cardíaca, estreita os vasos sanguíneos e consequentemente aumenta a pressão arterial.

A diferença entre raiva e ódio é que a raiva é uma emoção, portanto, passageira. O ódio, no entanto, é um sentimento construído ao longo do tempo. Tanto o ódio quanto amor são considerados afetos primitivos, ambos nascem de representações e desejos conscientes e inconscientes. (Andersen 2010)

Podemos ter raiva de qualquer coisa, por menos importante que seja, já o ódio nós só desenvolvemos para com objetos de real importância para nós. A raiva é uma emoção que implica em estresse mas não mágoa. O ódio é um sentimento que causa mágoa, ressentimento, angústia e frustração.


REFERÊNCIAS

Andersen, Roberto – Módulo: Medicina Psicossomática. CEEP - Centro de Estudos Especializados e Psicanalíticos, 2010. Curso de Formação em Psicanálise, em parceria com a SOBPIEX - Sociedade Brasileira de Psicanálise em Intensão e Extensão.

Ballone GJ -Raiva e Ódio - Emoções Negativas in. PsiqWeb, Internet - disponível em http://www.psiqweb.med.br/, revisto em 2006


sábado, 16 de julho de 2011

Receita

"Cantar sempre que for possível
Não ligar pros malvados
Perdoar os pecados...


Saber que nem tudo é perdido
Se manter respeitado

Pra poder ser amado"